Síndrome patelofemoral

O síndrome patelofemoral é também enunciado com outros títulos tais como síndrome femoro-rotuliano, dor anterior do joelho ou mesmo condromalácia da rótula. Porém, este último conceito (condromalácia: chondros + malakia – amolecimento da cartilagem) é atribuído a Koenig em 1924 e deverá ser abandonado dada a sua ambiguidade e possível confusão com outras entidades nosológicas (segundo recomendação da International Patellofemoral Study Group).

Sintomatologia do síndrome patelofemoral

Esta patologia é caracterizada por um grupo de sintomas que são fácilmente identificáveis e que frequentemente resolvem com o tratamento conservador. A apresentação mais comum é uma dor que varia com as posições do joelho e geralmente tem um agravamento de índole mecânica em situações de sobrecarga da rótula – como são o subir e descer escadas e o estar muito tempo sentado.

É imperativo diferenciar o síndrome patelofemoral de outros tipos de patologias ortopédicas. Em primeiro lugar na lista de diagnósticos diferenciais surge a instabilidade patelofemoral, sendo que esta se diferencia do síndrome patelofemoral por estar associada a um desequilíbrio mecânico ou anatómico que propicia fenómenos de instabilidade tais como a luxação recorrente ou subluxação rotuliana.

Sindrome patelofemoral

Etiologia e patofisiologia do síndrome patelofemoral

Não existe realmente um consenso quanto à patofisiologia desta doença. Porém, cree-se que na sua origem estará um desequilíbrio das forças que compensam o movimento da rótula sobre a tróclea do fémur na flexão e extensão do joelho. Este desequilíbrio de forças resultaria em fenómenos inflamatórios e vasculares que desencadeariam dor nas estruturas rotulianas (osso subcondral) e para-rotulianas (asa externa da rótula, gordura de Hoffa, etc…).

Devemos recordar-nos que a cartilagem em si não dói, visto não ter receptores nervosos para a dor, e que a sua principal função é servir de amortecedor e de superfície de deslizamento entre as estruturas articulares. Assim, quando se produz um desequilíbrio da distribuição das cargas, cria-se uma sobrecarga nas estruturas adjacentes – situação esta que provoca a dor.

Normalmente o síndrome patelofemoral surge num contexto de susceptibilidade anatómica por parte do doente. A atrofia do músculo vasto interno, alterações torcionais da tíbia e fémur, a displasia da tróclea femoral ou da rótula, entre outras alterações tornam a articulação patelofemoral mais susceptível a situações de sobrecarga mecânica. Porém, a esta susceptibilidade anatómica tem que ser adicionada uma situação de sobrecarga como um aumento de peso repentino, gravidez ou mesmo caminhadas prolongadas sem preparação física. No extremo, se várias alterações anatómicas se conjugam podem condicionar situações de instabilidade rotuliana.

Diagnóstico do síndrome patelofemoral

O diagnóstico deste síndrome é fundamentalmente clínico, podendo ser complementado com exames complementares de diagnóstico no caso de surgirem dúvidas no diagnóstico diferencial ou em situações que não respondem ao tratamento conservador.

Assim, o diagnóstico é realizado com base na história clínica, que engloba as queixas, situações que desencadeiam dor e história de patologias ortopédicas. Complementarmente é realizado um exame físico focado no joelho, avaliando a principalmente a articulação patelofemoral, discernindo de outras fontes que possam causar sintomas semelhante (como é o caso da patologia meniscal).

Tratamento do síndrome patelofemoral

O tratamento do síndrome patelofemoral é acima de tudo não cirúrgico, sendo que com este tratamento cerca de 85% a 90% dos casos acabam por resolver no prazo de 1 ou 2 meses (ou mais nos casos mais renitentes).

Porém, os restantes casos que não cedem à terapia conservadora devem ser reavaliados em busca de situações clínicas não diagnosticadas tais como a instabilidade femoro-patelar ou mesmo lesões da cartilagem (tanto do fémur como da rótula). O tratamento dos casos que não cedem à terapia conservadora pode implicar a abordagem cirúrgica.

É essencial recorrer a um Médico Ortopedista para o correcto diagnóstico e tratamento do Síndrome Patelofemoral

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